O SAFURDÃO

O Safurdão é uma antiquíssima povoação e freguesia do conc. e comarca de Pinhel (a 18km), distrito e diocese da Guarda (a 23 km). Situa-se entre a Ribeira da Pega e a das Cabras, a 7 km da EN 221 (Miranda do Douro-Guarda), próximo da confluência da Ribeira dos Montes (Jarmelos) com a Ribeira da Pega (no sítio da retorta desta, de poente para norte, a contornar a Capela da Senhora da Menina).Em 1839 pertencia à comarca de Trancoso e em 1878 à de Pinhel. É uma das Aldeias castrejas da bacia cudana, onde sempre preponderou a cultura do centeio. Sobre o NE, dispersam-se extensas penedias, especialmente nos sítios de Quinta do Abade, Seara, Cerro e Candal. No campo mineralógico, em 1939, assinalava três minas de W: Lanchais, Nave do Passo e Outeiro do Seixo.
                                              (adaptado de, A Guarda, A. Carreira Coelho)

Tem por orago Santo Antão (Santo António Abade, Século III). A Igreja venera-o desde o século IX, em 17 de Janeiro mas as festas, de grande prestígio, são sempre no 1º fim de semana de Agosto.
Logo após a fundação da congregação de Santo Antão, em França, no ano de 1095, a mesma estabeleceu-se em Portugal onde teve cinco conventos, sendo dois deles Santo Antão de Benespera (Guarda), Santo Antão de Aveleiro (Pinhel). A congregação veio a ser suprimida em 1790 mas ficou frutificando como paradigma de bem, virtude e abnegação. O Santo Padroeiro do Safurdão é também venerado em Bouça Cova e no Paraisal (Castelo Mendo), sendo prova da muita antiguidade devocional. A antiga freg-. de Santo Antão do Safurdão no termo de Pinhel, era curato anexo à abadia do Lamegal e do provimento desta, tendo passado mais tarde ao título de vigararia.
A igreja do Lamegal havia sido erecta na primeira metade do séc. XIII pelo bispo do Porto D. Pedro, em "herdade" dele próprio e por ele adquirida "propriis denariis". Deste modo, compreende-se que, quando a população, aumentada, e a distância àquela igreja o exigiram, entre outros factores, se criasse na povoação já existente, a paróquia de Safurdão (bastante depois do séc. XIII), dentro da de Lamegal e, principalmente, ficasse anexa a esta, como sua filial. A abadia do Lamegal provia assim o curato de Safurdão de pároco, de pequena renda. O povoado dispunha já da ermida St. Antão, pré-existente à paróquia, que então é elevada a sua matriz.
                                          (adaptado de, A Guarda, A. Carreira Coelho)